Sexta-feira, Dezembro 10, 2004

Onde o sol se pôe

Lá fora o mundo ganhou asas
Por entre as ruas caídas
Em que passei
E conheci.

No tempo do não mais
O que foi permanece
E os sabores e cheiros
Continuam aqui junto a mim

Naquela rua abrigada de toldos,
Suja pelo escurecer do tempo,
Em que homens pequenos
E estranhos
Vendiam a língua,
Tomava a cerveja
Sentado em plástico
Toldido na ilusão de eterno.

O caminhar dos sapatos ecoam ainda
Nas solas.
O mar sujo de rio tumultuoso
Acompanha ainda a minha voz.
Lá ao longe onde o sol se pôe
Como ainda crocodilos
E digo adeus.

1 comentários:

Anónimo disse...

Obrigada por nos gratificares com a tua escrita. Fantástico.